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sábado, 23 de maio de 2009

Do fundo do baú: o concílio de julho de 2003 convocado por D. Cordova III - da época em que nào se tinha pressa

Caros,
Mais um documento importante da história açoriana, frente à crise dinástica gerada pelas dificuldades macronacionais de D. Córdova, convocando o concílio para a esclha de um novo rei e estabelecedo as regras:


 
PRONUNCIAMENTO À NAÇÃO AÇORIANA DE
SMR CÓRDOVA III
PODER FEDERALISTA DO R.U. DOS AÇORES
 



 



 



Cidade Douro, 22 de julho de 2003



 

 



Cidadãos do Nosso Reino Unido,

Nobres Açorianos,

 

No dia 15 de julho o meu reinado completou 4 anos. Pertenço a primeira leva de imigrantes açorianos, ausentes hoje mas ainda celebrados pela grande contribuição que deram ao país no seu primeiro momento de vida independente.  Mais do que barões, condes ou políticos, acredito que nós fomos carpinteiros. Construímos esse país a partir de uma idéia.

Legamos às gerações vindouras grandes obras estruturais, uma tradição democrática e um modelo federalista. Muita coisa foi feita, mais até do que eu poderia citar.  Parte da nossa herança também é negativa. Problemas crônicos no sistema político-parlamentar do país e uma certa elefantíase do Poder Federalista causaram problemas variados. Já com o meu reinado chegando perto do fim, é justo dizer que fomos incapazes de resolvê-los.

Mas, para os que estão intranqüilos, ou mesmo esperançosos (em uma hipótese mais simpática), é preciso que eu empenhe minha palavra: não tenho pretensões de manter o trono ou de ser aclamado novamente. Não tenho desejo e nem condições. Deverei continuar nos Açores como cidadão, súdito de um novo Rei.

As articulações políticas que pretenderam ou pretendem a minha substituição não foram por mim encaradas como traição ao rei ou ao país. Eu me dispo de toda a vaidade. São antes reflexo da minha atual condição de inativo. Como cheguei a essa condição, é assunto pessoal e macronacional. Portanto, reservo-me o direito de não entrar em detalhes. De qualquer forma, os fatos não mudam e nem serão por mim negados. Em minha defesa, direi no máximo que de outra maneira não poderia ter sido. Isso não me exime, e nem pretendo que sim . Restam minhas desculpas.

Basta saber portanto que eu sou o passado deste país, e basta-me sê-lo. Já vocês são o futuro, para o qual eu devo abrir caminho sem resistir. Ainda assim, resta-me um papel a desempenhar junto aos açorianos na pacificação do Reino Unido e na organização dos trabalhos para a resolução do atual conflito.

Assim como é preciso reconhecer que a sucessão real tardou demasiado (e todos os problemas de atividade daí resultantes são responsabilidade minha), também é preciso criticar a luta acirrada que se travou em torno da Coroa. O poder verdadeiro, transformador, não está depositado na função de Rei, mas sim na de primeiro ministro. Cargo que pode ser conquistado em eleições, mas foi surpreendentemente desprestigiado.  Aparentemente, muitos ficaram cegos devido ao brilho dourado da Coroa.  

Sobre os contendores, é preciso esclarecer o que foi posto em dúvida por partidário de ambos: I) Dom Waldir Rezende é o Delfim do Reino Unido dos Açores, herdeiro reconhecido dos direitos reais no evento de minha morte ou renúncia. II) Dom Francis Lauer é nobre açoriano, tendo recebido seu baronato ainda em 2002.

Ocorre que nem eu renunciei, nem foi consquistada a unanimidade constitucional exigida para a aclamação.

Por essa razão, eu estou convocando um Concilium de todos os nobres açorianos, aberto à participação ativa da população. Todos os nobres devem atender a essa convocação . Se não pela Lei, que os deveria obrigar, que antendam em respeito aos laços de fidelidade irrestrita que nos unem, um juramento sagrado que todos os nobres fizeram. Honrem-me com a obediência de vocês, e assim vocês honrarão a si próprios.  

O Concilium aclamará um novo monarca ou manterá em minhas mãos o direito de apontar o futuro Rei. Todas as minhas prerrogativas estarão a serviço do Concilium, deixando-me como organizador de seus trabalhos e cumpridor de sua vontade no evento da aclamação de um novo Rei.

Como todos sabem, existem duas formas constitucionais para a entronização. Uma é a aclamação unânime, a outra é a tradição (abdicação, linha hereditária e etc.). Como farei minha a vontade do Concilium, trabalharei para promover a aclamação unânime, que poderá inclusive ter caráter complementar à recente votação realizada. De outra forma, tentarei promover o Delfim do Reino Unido, ou mesmo um tertius. Não terei predileções pessoais, da mesma forma que nunca tive partido. Se tudo isso se mostrar impossível de ser executado, ouvirei e decidirei, minha prerrogativa original e primordial.

O prêmio para os postulantes ao trono é legitimidade e legalidade indiscutíveis. A contrapartida é modesta: obediência.

Por fim, gostaria que todos refletissem, como eu próprio farei, sobre os atos que serão tomados daqui para frente. Não tenho a menor intenção de promover ou aceitar que se promova qualquer ruptura.  Minha vontade sempre esteve duplamente submetida ao desejo popular e às minhas obrigações reais. Não será diferente no crepúsculo do meu reinado.

 

Paz e Prosperidade,

 






SMR Córdova III



FPRA


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